É possível aprender brincando? Quais as
possibilidades de jogos convencionais adaptados às
circunstâncias das salas de aula?
Essas são algumas das questões que me intrigaram
(e intrigam) desde os tempos da licenciatura em Química.
Coincidência ou não, quando era bolsista da
Área de Educação Química
(IQ, UFRGS), uma professora em seu curso lato sensu
desenvolvia sua monografia justamente sobre o tema dos jogos (em
Química, mais especificamente). O trabalho estava muito
difícil, ela estava tendo dificuldades para encontrar
situações concretas de uso.
Os tempos são outros, parecem mais fáceis ou mais abundantes as opções. Tenho explorado algumas possibilidades, especialmente como
o auxílio de programas ("softwares").
Uma de minhas primeiras tentativas foi a de fazer uma
espécie de amigo secreto de fórmulas
químicas. Preparo diversos pedaços de papel, uns
contendo nome de substância, outras com fórmulas.
Distribuo esses papéis entre os alunos e eles devem circular
pela sala em busca da metade que completa o par.
Ainda por essa época, preparei cartões contendo
fórmulas de íons mais comuns. Com eles, alunos
podem entender melhor o princípio das fórmulas
das substâncias (porque o cloreto de cálcio tem
fórmula CaCl2 e não CaCl,
por exemplo).
O mesmo modelo serve para simular equações de
reações (especialmente as de simples troca e
dupla troca). Os cartões têm ajudado os estudantes
do ensino médio a comprenderem os conceitos envolvidos partindo, digamos, de forma mais concreta. Geralmente, professores adotam
uma abordagem matemática (e um tanto mais abstrata) como
solução para o problema.
Uma terceira possibilidade que tenho explorado é uso de
palavras cruzadas. Nos primeiros anos lecionando criei duas palavras
cruzadas. O método era completamente artesanal: Criava uma
lista de palavras candidatas ao jogo de acordo com os
conteúdos envolvidos (mais outras de outras
áreas) e sentava em frente a um tabuleiro de Palavras
Cruzadas, produzido no Brasil por uma empresa de brinquedos bastante
conhecida. Trabalho de semanas... Mas até que era divertido.
Mais recentemente, encontrei vários programas na web que
permitem criar palavras cruzadas com auxílio do computador.
Alguns permitem inclusive que sejam publicados na internet em formatos
interativos. O usuário pode responder on line e ainda
verificar a solução.
Tudo que tenho que
fazer é criar um banco de palavras e jogar para o programa a
tarefa de cruzá-las.
Algo que me fascina nesse recurso é a possibilidade de criar
várias palavras cruzadas diferentes sobre um mesmo tema,
imprimir e distribuir para os alunos. Eles podem fazer em casa sem
correr o risco de colarem de outro colega, pois cada um recebe uma
palavra cruzada exclusiva. Algo a se pensar é a dar a
oportunidade de eles mesmos criarem as palavras cruzadas (que palavras
escolheriam? trabalho em grupo seria melhor?..).
Tenho usado com certa frequência as "palavras
cruzadas químicas", duas ou três vezes por ano
(penso que mais do que isso seria exagero). Ainda não sei se
há alguma vantagem em seu uso com fins
pedagógicos. Talvez a única coisa que esteja
conseguindo é fazer com que meus alunos fiquem craques em
palavras cruzadas. Pode ser também que alguns deles, pelo
menos, estejam sendo conquistados, encarando a Química de um
modo um pouco menos formal.
Em 2006, comecei a explorar os criptogramas (quem não conhece?). Tem sido mais fácil elaborá-los e os estudantes têm gostado. Estou pegando o jeito, procurando colocar questões que abordem aspectos dos conteúdos que eles estão com dificuldades ou que preciso abordar com mais insistência.
É fácil fazer. Veja o que é
preciso:
1) Pode-se aproveitar o mesmo banco de palavras usadas para criar
palavras cruzadas;
2) Precisa de um editor de planilha (sempre presente em
suítes como OpenOffice, BROffice, Lotus, Microsoft, ...);
3) Usar fontes do tipo "dingbats", "symbols" entre outras (exemplos:
Webdings, Milestones, Zapf Dingbats, Wingdings, etc).
Como faço:
Na planilha, na primeira coluna escrevo as
definições e nas colunas seguintes as respostas
(uma letra para cada célula, no caso das respostas). Quando
acho que o nível de dificuldade e o conteúdo
está adequado, seleciono as céĺulas de respostas
e troco para uma das fontes acima. Está feito. É
só imprimir e distribuir.

Dicas:
O alinhamento de texto nas células deve ser "esquerda" e
"superior" para dar espaço para responderem na
célula.
Costumo usar mais de um tipo de fonte no jogo. Se escolhi Wingdings
como fonte, muda algumas das letras para outra fonte. Isso
dificultará que algum espertinho use um editor de textos
para descobrir a chave símbolo-letra e também
para usar símbolos que ache mais adequados ou
estéticos.
Outra alternativa que por incrível que pareça ainda não explorei é o jClic. Com ele podemos criar diversas atividades (quebra-cabeças, cata-palavras, palavras cruzadas, jogo da memória, etc.). Seria interessante que os alunos desenvolvessem seus próprios desafios e propusessem que os colegas os resolvessem. Não usei o jClic em minhas aulas, até o momento fiquei mais ocupado em traduzi-lo, produzir material para professores e dar oficinas desse programa para várias redes de ensino. Muitas escolas brasileiras estão a usá-lo.
)